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sábado, 20 de novembro de 2010

EDUCAÇÃO INCLUSIVA - BRAILLE

EDUCAÇÃO INCLUSIVA - BRAILLE
INTRODUÇÃO:
A criança portadora de deficiência visual é, ainda hoje, normalmente apontada como um indivíduo
exclusivamente passivo e dependente, sendo fragmentado motora, cognitiva, afetiva e socialmente.
Além disto, sua individualidade e o direito à diferença nem sempre são por ela plenamente
vivenciados, pois as pessoas ao seu entorno geralmente tomam para si a tarefa de tornar obscuro o
conhecimento de si mesma e do ambiente circundante: situação que provavelmente aconteça devido
a uma possível falta de informação, das possibilidades desta criança e das implicações da
deficiência visual a ela trazidas no que diz respeito à necessidade de adaptações e de utilização de
vias alternativas para o seu desenvolvimento psicomotor, cognitivo e sócioafetivo para sua
construção como sujeito.
DESENVOLVIMENTO:
No entanto, nem sempre esta criança tem efetivamente o seu lugar atribuído e ocupado: muitas são
as vezes e os motivos que a relegam para o vácuo, para o lugar do nada onde o nada a ela é
oferecido e desejado.
Então, a deficiência visual em uma criança pode constituir, para o outro, a via que conduz para um
espaço sem inscrições e sem desejos, principalmente quando a relação parental e ambiental com
esta criança está fragilizada pelo desconhecimento, tabu e mito, acrescidos ao próprio sentimento de
medo ou decepção que o familiar possa ter em si diante daquela criança não desejada com sua
cegueira ou com a baixa visão: potencializando este comprometimento visual ao nível de confundirse
nos valores deficiência visual-criança e a esta reportar-se como se ela fosse exclusivamente a
própria deficiência visual.Com este emaranhado de sentimentos e dúvidas, o outro enreda-se e
despropositadamente pode aprisionar a criança no seu desconhecimento de como lidar com ela e
primordialmente com sua insuficiência, como se ela fosse a singularidade desta falta e a
representação da incapacidade ou da inabilidade para o interrelacionamento com seus familiares e
com a sociedade diante do fenômeno cegueira ou baixa visão.
Porém, estudos vem demonstrando a existência de um ritmo desenvolvimental não característico,
mas singular da criança portadora de deficiência visual, quando estímulos não são a ela
adequadamente atribuídos e oferecidos.No entanto, nem sempre o outro compreende que a criança
com algum impedimento visual, não terá a mesma percepção do mundo que aquela que enxerga.
Embora seu potencial para a aprendizagem seja comparável, esta criança apresenta um método
diferenciado para a estabelecer, pois ela necessita explorar o detalhe antes de entender o todo:
situação que necessariamente na criança não portadora de deficiência visual entendemos que pode
deixar de acontecer nesta ordem.
Associado a isto, consideramos que a observação do desenvolvimento maturativo de funções e
capacidades biológicas, assim como a estruturação mínima e isolada das funções psicológicas
(cognitiva, afetiva e social) da criança não lhe instrumentalizam suficientemente a habilidade
integrativa se um processo co-construtivo junto aos outros e não acontecendo de forma
contextualizada. Gil (2000) indica que muitas são as carências apresentadas pela criança com
deficiência visual e, igualmente, que os familiares e os profissionais considerem as diferenças
inevitáveis sem contudo, estabelecer comparações com aquela normovisual. Para esta autora, é
fundamental que as necessidades, desejos e interesses desta criança sejam percebidos e que o seu
ritmo de exploração e conhecimento seja respeitado pelo outro, pois sua lentidão inicial equivale ao
tempo necessitado por ela para o conhecimento do objeto dentro de um processo de abstração. A
apreensão e a abstração do mundo constituem, no entanto, para a criança congenitamente cega ou
com baixa visão atividades que dela exigem um grande poder dedutivo porque ela precisa integrar e
sintetizar as informações recolhidas do ambiente a partir dos demais sentidos remanescentes
(audição, tato, olfato e mesmo a visão quando existe algum resíduo).
O tempo demandado para a efetuação de todo este processo nem sempre é entendido pelo outro e,
muitas vezes, este outro chega a não considerar que a criança cega ou com visão subnormal esteja
percebendo o mundo em função do seu desconhecimento quanto aos mecanismos e procedimentos
que ela peculiarmente utiliza para o estabelecimento desta compreensão, diante da sua limitação
visual. No entanto, esta criança precisa receber ajuda de pessoas que se disponibilizem, desde o seu
nascimento, a despertar nela o desejo de conhecer e aprender, explorar o mundo e elaborar de forma
própria as informações: auxílio este que pode em muito ser efetivado a partir de conversas mais
freqüentes com a criança deficiente visual do que com aquela que enxerga (Gil, 2000).
Claro está que a carência informativa, sintetizada e abrangente, obtida através do canal perceptivo
da visão pode trazer alguma restrição ou lentidão desenvolvimental para a criança, uma vez que
ajustes sensoriais e coordenativos em termos de função precisam ser realizados. Contudo, o que
observa-se ao longo dos anos, no que diz respeito a um possível atraso do seu desenvolvimento, não
está unicamente relacionado ao tempo necessário para a estruturação, por exemplo, da coordenação
ouvido-mão da criança cega em lugar da coordenação olho-mão das crianças normovisuais
mencionada por Bruno (1993) A maneira do estabelecimento de comportamentos interativos, a
qualidade das facilitações e estímulos oferecidos e o tempo suficiente para um adequado processo
de assimilação e acomodação informativa na criança com deficiência visual disponibilizado pelo
outro, decorrentes de uma leitura nem sempre apropriada das suas reais necessidades, parecem ser
muito mais intervenientes constituírem fatores de atraso no seu desenvolvimento do que aqueles
específicos da sua deficiência visual.
BRUNO, Marilda Moraes Garcia. O desenvolvimento integral do portador de deficiência visual.
São Paulo: Newsvork, 1993. 144p.
GIL, Marta (Org.). Deficiência visual. Brasília: MEC, Secretaria de Educação à Distância, 2000.
79p. (Cadernos da TV Escola. 1)

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